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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Craqueamento em biodiesel e óleos de origem biológica

Realisa-se craqueamento térmico ou pirólise também em biodiesel, e de maneira análoga ao craqueamento de frações destiladas de petróleo, o processo provoca a quebra de moléculas derivadas (ésteres de etila e metila) dos ácidos graxos ou dos próprios óleos vegetais eanimais brutos (numa alternativa à rota de transesterificação), por aquecimento a altas temperaturas (superiores a 450°C) na ausência de ar ou oxigênio, formando uma mistura de compostos químicos com propriedades muito semelhantes às do diesel de petróleo, e por isso, sendo chamado bio-óleo, um combustível que possa ser utilizado em qualquer motor diesel. O biodiesel derivado de óleos vegetais apresenta algumas propriedades, como a viscosidade, fora dos padrões estabelecidos pelas agências reguladoras de combustíveis, como a brasileira ANP. Por exemplo, a viscosidade do biodiesel derivado por transesterificação de óleo de mamona é superior à viscosidade do óleo de soja. Portanto, como tem sido feito em diversos países, o biodiesel só pode ser usado em motores de ciclo diesel quando adicionado ao diesel de petróleo até um limite de 20% em volume, a chamada mistura B20. Diferentemente do craqueamento de frações de petróleo, o craqueamento de ácidos graxos leva à formação de moléculas de hidrocarbonetos de diferentes tamanhos e de gás carbônico (CO2) e água (H2O), devido a presença do grupo carboxila nos ácidos graxos.[8] Em algumas situações esse processo também é auxiliado por catalisadores para a quebra das ligações químicas, de modo a gerar moléculas ainda menores.[9]
O óleo vegetal ou sebos são colocados em um craqueador de aço inoxidável, sendo submetidos a alta temperatura, na presença ou não de catalisadores. Neste craqueador, adequado a produções de pequena escala, contrariamente à trnsesterificação direta, ocorre rompimento das moéculas de ácidos graxos e a liberação da glicerina (glicerol, que anteriormente, formava com os ácidos graxos íntegros ostriglicerídeos, os lipídeos. O custo de refino do glicerol neste processo é, proporcionalmente, maior que nas plantas de grande dimensão, apresentando irregularidade da produção pela própria dificuldade de se obter regularidade de composição das matéris primas, e consequentemente, dificuldade de controle do processo químico.[10] Após o craqueamento, a mistura de hidrocarbonetos e alguns subprodutos e resíduos é então separada por processo de destilação à pressão atmosférica.[8]
As temperaturas de craqueamento e rendimento (%) por faixa de temperatura de corte ( oC) na destilação da mistura de hidrocarbonetos obtidos durante o craqueamento de óleos vegetais são as seguintes:[11]
ÓleoTemperatura de craqueamento (°C)<8080 a 140140 a 200>200
Soja350 a 40010151560
Sais soja300 a 32015101560
Dendê330 a 38079975
Mamona350 a 40010102060

A fração (mistura de hidrocarbonetos) que destila em temperaturas superiores a 200 oC apresenta propriedades físico-químicas semelhantes às do diesel de petróleo, indicando que o combustível obtido através de craqueamento térmico de óleos vegetais pode ser uma alternativa viável em substituição ao petróleo.[8][12]
Determinados processos em desenvolvimento e implementação de craqueamento de óleos de origem biológica compreendem processo de craqueamento termocatalítico, incluindo o uso de dois ou mais reatores de craqueamento catalítico fluido, CCF, ocupando um com gasóleo pesado ou resíduo em condições convencionais, como na industria de petróleo, enquanto que pelo menos um dos outros reatores processam óleos vegetais em condições adequadas à produção de óleo diesel bio-óleo. Dentre estes processo utiliza-se em alguns o mesmo catalisador utilizado no processo de CCF. Tais processos transformam matérias-primas com alto valor calórico em hidrocarbonetos combustíveis e apresentam excelente eficiência para a obtenção de produtos com alta pureza e não apresentam a formação de glicerinacomo subproduto típico do processo de transesterificaçâo. O óleo diesel produzido através destes processos tem qualidade superior, apresenta número de cetano maior do que 40, pois as reações de craqueamento ocorrem a temperaturas baixas e os produtos obtidos são menos oxidados, e portanto são mais puros, do que aqueles obtidos através da tecnologia convencional não catalítica.[13]

craqueamento

O processo de craqueamento do petróleo é constituído fundamentalmente de uma reação de quebra (cracking) de moléculas de alto peso molecular e de baixo valor comercial, em moléculas de menor peso molecular e com alto valor comercial.
No óleo cru, encontramos hidrocarbonetos das seguintes quatro classes:
  • Parafínicos (ou Alcanos);
  • Naftênicos (ou Ciclo-alcanos);
  • Aromáticos;
  • Mistos.
2. DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE CRAQUEAMENTO CATALÍTICO
No processo de craqueamento Catalítico, a carga (gasóleo proveniente da destilação a vácuo, e que seria utilizado como óleo combustível) entra em contato com um catalisador a uma temperatura elevada ocorrendo à ruptura (“Cracking”) das cadeias moleculares, dando origem a uma mistura de hidrocarbonetos que são posteriormente fracionados.
Os tipos existentes no Brasil são os seguintes:

REFINARIA
LICENCIADORA
TIPO
REMAN
UOP
STACKED
RECAP
SOCONY-MOBIL
T.C.C.
RLAM
KELLOGG
ORTHOFLOW B
REDUC
UOP
SYDE BY SYDE
REGAP
UOP
STACKED
REFAP
UOP
STACKED
RPBC
KELLOGG
ORTHOFLOW C
REPLAN
KELLOGG
ORTHOFLOW C
IPIRANGA
UOP
STACKED
REPAR
KELLOGG
ORTHOFLOW F
REVAR
KELLOGG
ORTHOFLOW F
REGAP
UOP
SYDE BY SYDE

Uma unidade de FCC é composta das seguintes seções:
  • Seção de reação ou conversão;
  • Seção de fracionamento;
  • Seção de recuperação de gases;
  • Seção de tratamento.
2.1 Seção de Fracionamento
2.2 Seção de Recuperação de Gases
2.3 Seção de Tratamentos
Na seção de tratamentos, compostos de enxofre, nitrogênio e alguns metais, que são componentes indesejáveis são eliminados através de tratamentos convencionais de DEA, Merox, lavagem caustica para o GLP, Merox ou lavagem caustica para a gasolina e DEA ou lavagem caustica para o gás combustível, bem como denitrogenação e demetalização para todas as frações.

craqueamento2

3. REAÇÕES DE CRAQUEAMENTO
O craqueamento de hidrocarbonetos envolve as seguintes reações:
3.1 Parafinas são craqueadas dando olefinas e parafinas menores:
CNH2N+2 CMH2M + CPH2P+2 ; onde N = M + P
3.2 Olefinas são craqueadas dando olefinas menores:
CNH2N CMH2M + CPH2P ; onde N = M + P
3.3 Alquilaromáticos são desalquilados:
ArCNH2N+1 ArCMH2M-1 + CPH2P+2 ; onde N = M + P
Aromático com Parafina
olefina lateral
3.4 Naftênicos são craqueados gerando olefinas
CNH2N CMH2M + CPH2P ; onde N = M + P
Estas são as reações primárias. As reações secundárias do craqueamento são:
3.5 Transferência de hidrogênio
Naftênicos + Olefinas  Aromáticos + parafinas
Precursores aromáticos de coque + olefinas  coque + parafinas
3.6 Isomerização
Olefinas  iso-olefinas
3.7 Reações de condensação
As reações de craqueamento são bastante endotérmicas, a isomerização tem muito baixo calor de reação e as reações de transferência de hidrogênio são exotérmicas. No processo de craqueamento as reações endotérmicas sempre predominam.

craqueamento3

4. CARGA PARA O CRAQUEAMENTO
4.1. Efeito dos hidrocarbonetos
4.2. Efeitos das impurezas e contaminantes
4.2.1. Asfaltenos.
4.2.2. Metais pesados.
4.2.3. Metais alcalinos e alcalino-terrosos.
4.2.4. Nitrogênio.
4.2.5. Enxofre.
4.2.6. Cloretos.
4.3. Características da Carga para Craqueamento
A carga usada em FCC é um gasóleo obtido por destilação a vácuo com faixa de destilação intermediaria entre o óleo diesel e o resíduo de vácuo.
As propriedades da carga que podem exercer maior influência no processo são:
4.3.1. Faixa de destilação: A faixa de destilação geralmente empregada varia de 340ºC a 550ºC.
4.3.2. Resíduo de Carbono: Esta relacionada a formação de coque, este resíduo deve ser baixo. De modo geral o resíduo de carbono deve ser menor que 0,5% em peso.
4.3.3. Fator de Caracterização (Kuop):O fator de caracterização recomendado não deve ser menor que 11,5.
4.3.4. Teor de Metais:
Fe + Va + 10 . (Ni + Cu) < 5 ppm
5. PRODUTOS DO CRAQUEAMENTO
Os produtos do craqueamento são gás combustível, GLP, gasolina, gasóleo e coque. Os gasóleo são oriundos de moléculas não convertidas da carga original da unidade e são separados em três frações: LCO ou óleo leve de reciclo, HCO (óleo pesado de reciclo) e óleo clarificado.
6.CARACTERÍSTICAS E ATIVIDADES DOS CATALISADORES DE CRAQUEAMNETO
O catalisador empregado nas reações de craqueamento é constituído de um pó granular, fino, de alta área superficial à base de sílica (SiO2) e alumina (Al2O3).
A seletividade de cada um destes tipos pode ser verificada pela tabela a seguir:

Tipo de catalisador
Baixa alumina
Alta alumina
Zeólita
Rendimento de gasolina
53%
60%
64%
Rendimento de coque
11%
8%
6%

A atividade de um catalisador é uma medida direta da capacidade do catalisador em promover as reações de craqueamento. Ela é caracterizada por um maior rendimento de produtos comerciais em relação a quantidade de catalisador utilizado, sendo função de sua composição química e de sua área superficial.
Um catalisador de craqueamento pode apresentar-se de três formas distintas:
1.Catalisador Virgem: Ele é branco e com a atividade máxima especificada.
2.Catalisador Gasto: Seu teor de carbono é de 1,0 a 1,2% peso e cor preta.
3.Catalisador Regenerado: Seu teor de coque é de 0,2 a 0,5% peso e cor cinzenta.
Características de um catalisador usado na UFCC

Diâmetro de partícula média
7 x 10-5 m
Diâmetro de partícula mínimo
2 x 10-5 m
Esfericidade
0.72
Densidade
1410 kg/m3
Calor específico
1.15 kg/(kg K)

6.1 Problemas Durante a Regeneração do Catalisador
6.1.1 After-Burning: Ocorre quando a taxa de queima de coque é superior ao coque formado durante as reações de craqueamento.
Elevadas temperaturas podem levar:
      • Maior erosão do material do regenerador
      • Redução de vida do equipamento
      • Sinterização do catalisador
A redução da vazão de ar resolve este problema.
6.1.2 Behind-Burning: Quando a taxa de formação do coque no craqueamento é superior ao coque queimado no regenerador a um aumento progressivo da percentagem de carbono no catalisador reduzindo a atividade deste catalisador.
A elevação da vazão de ar é uma das soluções para este problema.

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7. CONVERSÃO
Ela engloba além do gás combustível, GLP, gasolina e o coque formado durante o processo de craqueamento. Os valores desta conversão variam de 70 a 85%.
7.1. Seção de Reação ou Conversão (Conversor)
Dimensões de uma unidade FCC

Unidade do Processo
Dimensão
Comprimento(m)
Diâmetro(m)
Riser
30.0
1.1
Seção do reator
(Disengaging)
8.5
5.1
Seção do retificador (Stripping)
6.2
3.2
Regenerador
18.0
8.2
spent catalyst transport line
10.5
0.8
Linha de transporte de catalisador regenerado
12.5
0.8
Total de ciclones equipados
Dimensões dos Ciclones
Ciclone do reator
2
0.8 (H)/0.4 (W)
Ciclone do regenerador
2
1.0 (H)/0.5 (W)

7.2. Riser
O “RISER” é uma tubulação vertical de grande diâmetro, por onde sobe a mistura de catalisador e vapores de hidrocarbonetos. É onde ocorre a maior parte das reações de craqueamento.
No final do Riser, os produtos de reação são separados do catalisador, que é retificado com vapor para retirar hidrocarbonetos voláteis, e é encaminhado para o regenerador.
Neste estudo é assumido que a deposição do catalisador, e que este efeito pode ser descrito por uma função desativação do catalisador da seguinte forma:
Onde o coeficiente de desativação catalítica c é relatado para a temperatura e a composição da alimentação pela seguinte equação:
onde:
RAN é a razão Aromáticos / Naftenos no liquido da alimentação;
c* é o expoente representado por c.
C é a concentração molar, kg.mol / m3, do coque no riser.
TgRs é a temperatura, K, do gás no riser.
Ec é a energia de ativação do catalisador, kJ / kg.mol.
7.3. Reator
No “Reator”, colocado imediatamente acima do Riser, completam-se as reações de craqueamento. Ele propicia um espaço para a separação inicial do catalisador, pois diminui a velocidade dos vapores em ascensão.
O reator é constituído de duas seções, uma de retificação e outra de separação, que possuem efeitos combinados em uma única seção, chamada seção de reação. A seção é modelada como um tanque contínuo perfeitamente misturado sem reação química. Isto pode ser considerado, pois se inicia a separação do catalisador e dos vapores de produtos de craqueamento produzidos no riser via ciclones, e com isto, raramente ocorrem reações de craqueamento nesta seção de reação.

craqueamento5

7.4. Regenerador
No regenerador, o coque depositado sobre o catalisador é queimado com ar a uma temperatura de cerca de 700°C. A queima do coque serve não só para regenerar o catalisador, como também para fornecer a maior parte da energia necessária para a vaporização do gasóleo e para as reações de craqueamento. Exata energia é conduzida do regenerador para a base do Riser pelo catalisador circulante.
composição volumétrica destes gases é aproximadamente a seguinte: (N2 = 80%; CO2 = 10%; CO = 10%). É possível transformar o CO em CO2, liberando-se energia, que é aproveitada para a geração de vapor d’água de alta pressão. Este processo é realizado na caldeira de CO.
Após certo tempo o catalisador do FCC, uma zeólita, sofre um processo de desativação irreversível, pela destruição dos seus componentes ativos. Quando isso ocorre, existe a troca desta porção de catalisador por uma mesma quantidade de catalisador virgem.
Algumas das reações que se desenvolvem durante este processo de combustão do coque serão vistas agora:
H2 +1/2 O2 H2O + 68317,4 cal
C + 1/2 O2 CO + 26415,7 cal
CO + 1/2 O2 CO2 + 67636,1 cal
8. DESTINO DOS DERIVADOS DO CRAQUEAMENTO CATALÍTICO
    1. Gás combustível: Vai para uma unidade de tratamento DEA (para remover H2S) e é queimado em fornos e/ou caldeiras na própria refinaria.
    2. GLP: Vai para uma unidade de tratamento DEA (para remover H2S), em seguida para uma unidade de tratamento cáustico (para retirada de mercaptans) e, daí, pra o armazenamento em esferas.
    3. Nafta: Vai para uma unidade de tratamento cáustico (para remover H2S e mercaptans) e, daí, pra o armazenamento em tanques de nafta ou gasolina.
    4. Óleo leve: Vai para uma unidade de HDT e em seguida é armazenado como óleo diesel.
    5. Óleo decantado: Embora também contenha enxofre em alto teor, não é tratado e, normalmente, é misturado ao resíduo de vácuo (da destilação), compondo o óleo combustível